terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Amanhã

O Amanhã
Levantou cedo, estava ainda com os olhos fechados. Por instinto, de olhos fechados, calçou os chinelos. Após uns minutos abriu os olhos. Olhou em volta, a escuridão ainda reinava. Olhou com dificuldade na direção das janelas, as cortinas impediam a entrada dos raios do sol. Com passos vagarosos, seu ritmo habitual, correu as cortinas. O quarto clareou um pouco.Na cozinha, abria a porta superior do armário, que era preso por parafusos na parede. Encontrou alguns pães dentro duma sacola. Essa era a sua rotina, levantava cedo para trabalhar, voltava e ia para a cama para no dia seguinte voltar a fazer tudo de novo.Certa vez sem saber iria conhecer uma pessoa e está pessoa mudaria para sempre a sua rotina.A caminho do ponto combinado onde esperava o ônibus da empresa Caio antes de subir para o ônibus uma linda jovem passa por ele. No momento que ela passa por Caio ele tem uma leve impressão de que a jovem sorri para ele.Às oito horas de trabalho passa pensando nesta mulher.Na manhã seguinte ciente de que estava de férias do trabalho vai à mesma hora em que viu a jovem para o mercado certo de que a veria. Enquanto ia a caminho do mercado lembrou com dificuldade que vira a jovem muitas vezes e se perguntara por que só agora a reparara. Estranhou sua percepção. E aos poucos se deu conta de que a jovem usava óculos e vestia sempre uma saia preta até os joelhos e uma camisa azul ou amarela. Ficou admirado em poder descrevê-la mentalmente embora nunca se pegasse olhando diretamente para ela.Nesse momento a jovem passa por ele. Sem perceber Caio a segue. Ela pega um ônibus que passava logo após o ônibus da empresa que sempre passava pontualmente naquele horário. Ele a seguiu subiu ao ônibus e sentou três bancos atrás dela. Ao entrar no ônibus se admirou de a jovem cumprimentar o motorista e este sorrir satisfeito após o cumprimento. E conforme a jovem passava pelos bancos já preenchidos até sentar no seu banco o qual parecia ser habitual, as pessoas sorriam como se fosse um cumprimento costumeiro.“Deve ser casualidade. Ou ela é bem conhecida. Como não reparei nela antes.” Pensou ele consigo mesmo.O ônibus foi diretamente para o centro de Sorocaba. Conforme o ônibus ganhava as ruas Caio se viu entretido do lado de fora. Há tempos não ia para aqueles lados.Por um milagre ouviu a campainha tocar após a corda ser puxada e viu por reflexo o corpo esbelto da jovem parada a uns metros da porta. A porta se abriu e a moça desceu. Com um grito pediu ao motorista que abrisse a porta que iria descer. Desceu do ônibus quase sem fôlego. Tinha de saber aonde a jovem ia. Estava impressionado com tanta beleza.Ela subiu as escadas de um prédio que parecia ser um patrimônio histórico sorocabano. Curioso e certo de que aquele prédio era onde a jovem trabalhava Caio ergueu os olhos e leu calmamente e com um sorriso irônico que dizia Biblioteca Municipal, seja bem vindo! O conhecimento te espera. Era difícil de acreditar. Estava se sentindo atraído por uma jovem de óculos e bibliotecária, Caio riu meneando a cabeça. Parecia não acreditar.Cético deu meia volta sob os pés e procurou pegar o primeiro ônibus de volta para casa. A caminho de volta pra casa a imagem da silhueta da jovem não saia de sua cabeça.A noite de olhos fechados quase pegando no sono viu-se de pé diante do prédio onde havia ido e sentada nos degraus só de lingerie e um livro escondendo os decotes à jovem lia um livro, parecia estar entretida. Totalmente absorta à excitação que Caio era envolvido... -Quero fazer meu cadastro. –disse Caio a recepcionista.-Claro. Mas antes deverá conhecer as nossas instalações. –disse a recepcionista. Os olhos da recepcionista procuravam uma funcionaria que estivesse livre para ser o guia de Caio.- Raisa, por favor, querida. Venha até aqui, sim. –Caio estremeceu por um tempo quando viu que a jovem que lhe tirara o sono atendia pelo nome e com um sorriso encantador vinha na direção da recepção.- Esta é Raisa Rana. Ela te mostrará a biblioteca. Espero que goste.“Com certeza.” Pensou ele sorrindo para a recepcionista.- Então vamos. –convidou Raisa e Caio seguiu-a como se tivesse sido hipnotizado.Caio se esforçou para prestar atenção em todas as palavras que saíssem dos belos lábios de Raisa e fez as mais inteligentes perguntas que conseguiu fazer. E com isso não acabou entregando os pontos. Não queria revelar as suas verdadeiras intenções.- Qual seu nome? –perguntou ela quando pararam enfrente a porta que guardava um salão.- É Caio Garib. –disse ele mostrando interesse sobre a placa que dizia “o amanhã”.Raisa sorriu, estava satisfeita. Caio parecia ser um ótimo candidato a se associar à biblioteca. Pois revelou grande interesse, e olhava com olhar intrínseco para os letreiros ‘o amanhã’.- Quer saber o que tem por trás desta porta. –perguntou Raisa demonstrando entusiasmo com a possibilidade de mostrar a ele a sala do amanhã.Com um sorriso Caio disse sim.E ao abrir a porta e entrar seguido de Caio sem saber Raisa viu o sincero interesse de Caio.- Uau! –exclamou ele admirado.Raisa sorriu orgulhosa.Caio jamais havia visto uma sala daquele jeito. Era mais inacreditável do que a beleza e simpatia de sua guia. Apenas em filmes havia visto tanta tecnologia. Parecia ter entrado por engano numa sala de conferencia da NASA ou uma feira de ciência.Pessoas usavam os produtos tecnológicos como se fossem partes de suas vidas.Jovens, crianças e até mesmo adultas e idosas estavam entretidas na leitura de um estranho livro.- Este é o leitor eletrônico –disse Raisa ao se aproximarem de um pequeno grupo de crianças e pedir o leitor de uma delas para que Caio visse. –Temos aqui uma sala do amanhã. Nela as pessoas se acostumarão com o que vem pela frente. É um projeto idealizador da prefeitura. Acho que você leu algum artigo a respeito.- Sim. Diga mais. –disse Caio tentando esconder sua surpresa e tentando fazê-la se interessar por ele. Mas aos poucos Caio sentiu-se mais inclinado a abandonar o plano original e apreciar o advento do amanhã.- Estamos prestes a expandir o projeto. Recebemos muitas visitas de pessoas e de escolas aqui na sala do amanhã.- Esta sala –disse Caio procurando palavras para descrever o que via –é uma espécie de Avatar do amanhã.- Exatamente! Tirou palavras da minha boca. –disse Raisa entusiasmada por Caio estar verdadeiramente se interagindo.Caio viu mais a frente telas grandes e médias onde pessoas com as mãos pareciam fazer uma pesquisa detalhada de assuntos variados. Era inacreditável. Aquela sala era tão sedutora quanto à beleza de Raisa.Aqui também temos livros. Eles serão preservados para aqueles que quiserem folhear uma pagina. Digamos para colecionadores.- Impressionante. –disse Caio ponderadamente.Enquanto prosseguiu em conhecer a sala do amanhã se perguntou como nunca havia se interessado a esta nova forma de ter conhecimento.- Bom –disse Raisa olhando-o nos olhos. Caio se sentiu desnorteado por um instante, mas logo retomou o controle. –ainda está interessado em se cadastrar? Seria bom tê-lo conosco senhor Garib.- Claro que estou. E digo mais, minha intenção é estar no camarote quando ‘o amanhã’ ser recebido alegremente por Sorocaba e quero ver ser alastrado por todo o Brasil. –disse Caio sinceramente.
Fernão Batilo
Publicado no Recanto das Letras em 01/08/2009Código do texto: T1731118

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